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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Sem Etiqueta, Sem Preço


A nota é internacional e  diz, mais ou menos assim: Aquela poderia ser mais uma  manhã como outra qualquer.

Eis que o sujeito desce na estação do metrô  de Nova York, vestindo jeans, camiseta e boné.

Encosta-se próximo a entrada. 

Tira o violino da caixa e  começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.

Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.

Ninguém sabia, mas o músico era JOSHUA BELL, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes, Bell havia tocado no Symphony  Hall de Boston, onde os melhores lugares custaram a  bagatela de mil dólares.

A experiência no metrô, gravada  em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro,  copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando  no pescoço, INDIFERENTES AO SOM DO VIOLINO.

A iniciativa, realizada pelo jornal The Washington Post, era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

A conclusão é de que estamos  acostumados a dar valor às coisas, quando  estão num contexto.

Bell, no metrô, era uma  obra de arte sem moldura. 

Um artefato de luxo sem etiqueta  de grife.

Esse é mais um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas, que são únicas, singulares e que não damos importância, porque não vêm com a etiqueta  de preço.

Afinal, o que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes?

É o que o mercado diz que podemos ter, sentir, vestir ou ser?

Será que os nossos sentimentos e a nossa apreciação de  beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detêm o poder financeiro?

Será que estamos valorizando somente aquilo que está com etiqueta de preço?

Uma empresa de cartões de  crédito vem investindo, há algum tempo, em propaganda onde, depois de  mostrar vários itens, com seus respectivos  preços, apresenta uma cena de afeto,  de alegria e informa: 
NÃO TEM PREÇO.

E é isso que precisamos aprender a valorizar. 

Aquilo que não tem preço, porque não se compra.

Não se compra a amizade,  o amor, a afeição. 

Não se compra carinho, dedicação, abraços e beijos.

Não se compra raio de sol, nem gotas de chuva. 
                                             
A canção do vento que passa  sibilando pelo tronco oco de uma árvore é grátis.

A criança que corre, espontânea, ao nosso encontro e se pendura em nosso pescoço, não tem preço.

O colar que ela faz, contornando-nos  o pescoço com os braços não está à venda em nenhuma joalheria.

E o calor que transmite dura o quanto durar a nossa lembrança.
*   *   *
O ar que respiramos, a brisa que embaraça nossos  cabelos, o verde das árvores e o  colorido das flores nos é dado por Deus, gratuitamente.

Pensemos nisso e aproveitemos  mais tudo que está ao nosso alcance, sem preço, sem patente registrada, sem etiqueta de grife.

Usufruamos dos momentos de ternura que os amores  nos ofertam, intensamente, entendendo que sempre a manifestação do  afeto é única, extraordinária, especial.

Fiquemos mais atentos ao que  nos cerca, sejamos gratos pelo que nos é ofertado e sejamos felizes, desde hoje, enquanto o dia nos sorri  e o sol despeja luz em nosso coração apaixonado  pela vida.
Pare e Pense.
Colaboração; Deise Braz.

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