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sábado, 19 de janeiro de 2019

A Lagarta Processionária


As lagartas processionárias alimentam-se de flores e folhas de árvores.

Movem-se em “procissões” (daí o nome), cada uma com a cabeça colada à extremidade da outra.

Jean-Henri Fabre, naturalista francês, ao estudar um grupo dessas lagartas, induziu-as a se movimentar em torno de um grande círculo.

Ele pressupunha que depois de algum tempo, as lagartas perceberiam seu caminho circular, ficariam cansadas da marcha inútil e partiriam em uma nova direção.

Mas não foi o caso. Pela força do hábito, esse círculo vivo continuou a se arrastar ao redor do vaso, vez após vez, dia após dia, mantendo a mesma velocidade!

Uma porção de comida foi colocada ao lado do vaso, em plena vista das lagartas, mas fora do alcance do círculo.

Mesmo assim, elas permaneceram em sua vereda por sete dias e noites – numa marcha rumo à morte.

As lagartas processionárias estavam seguindo sua experiência passada, instinto, hábito, precedência, costume, padrão normal.

Mas, estavam seguindo às cegas. Se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco. Mateus 15.14

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

O Jumentinho


Um jumentinho volta, muito feliz, para sua casa. 

Ao chegar, fala para sua mãe: – Fui a uma cidade e quando lá cheguei fui aplaudido, a multidão gritava alegre, estendia seus mantos pelo chão, para que eu passasse sobre eles… 

Todos estavam contentes com minha presença. Sua mãe perguntou-lhe se ele estava só e o burrinho disse: – Não, estava levando um homem com o nome de Jesus. 

Então sua mãe retrucou: – Filho, volte a essa cidade, mas agora sozinho. Então o burrinho respondeu: – Quando eu tiver uma oportunidade, voltarei lá… Retornou a essa cidade sozinho. 

Aconteceu tudo o contrário da outra vez. Os que passavam por ele o maltratavam, xingavam e até mesmo batiam nele. 

Voltando para sua casa, disse para sua mãe: – Estou triste, pois nada aconteceu comigo. Nem palmas, nem mantos, nem alegria… Só apanhei, fui xingado e maltratado. 

Eles não me reconheceram, mamãe… Indignado, o burrinho perguntou a sua mãe: – Porque isso aconteceu comigo? Sua mãe respondeu: – Meu filho querido, você sem Jesus é só um jumento …

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O Véio do Saco

Foi num domingo à noite, no horário do culto, que um velho mendigo postou-se à porta da igreja, maltrapilho, fedido. As pessoas iam se desviavam dele. Não lhe davam nada nem o convidavam para entrar. 

Por fim, um dos porteiros o assentou na última fileira. E lá ele ficou sozinho, pois ninguém mais quis sentar-se naquele banco da igreja. 

Os porteiros torciam que o pastor chegasse logo, pois não sabiam exatamente o que deviam fazer com o “Véio do Saco” (apelido que os adolescentes logo lhe deram e, do qual, os adultos riram contidamente), mas, justamente naquela noite o pastor se atrasou. 

Após o período dos cânticos, um dos oficiais da igreja tomou a palavra: – Irmãos, é chegada a hora da pregação e o nosso pastor ainda não chegou. Vamos orar, cantar mais um hino e, depois, pedir a qualquer um dos irmãos que nos traga a Palavra. 

E assim se fez, porém, para surpresa e indignação geral, convidaram o “Véio do Saco”. 
Mas, as surpresas não pararam por aí. Ao tomar lugar no púlpito, o mendigo, pegou uma toalha molhada no saco plástico que trazia às costas, saudou a igreja corretamente, começou a tirar a roupa suja (que até então estava escondendo um belo terno) e a limpar a “sujeira” do rosto com a toalha molhada. 

E ali mesmo, diante daqueles olhos atônitos, o mendigo foi, aos poucos, se transformando, pois, na verdade, o “Véio do Saco” era o próprio pastor da igreja (que na sua mocidade tinha sido um excelente ator de teatro amador e resolvera usar sua arte para repreender a igreja). – A Bíblia nos ensina a amar o próximo. 

A estender a mão para o aflito e o necessitado. Há meses eu venho ensinando isso para vocês, mas, até hoje, não percebi nenhuma mudança em suas atitudes. Que mérito há em cumprimentar somente os amigos? 

Que valor há em abraçar somente os irmãos? 
Todos vocês passaram por mim e nem sequer deram-me um mísero “Boa-noite”. Por que? 
Por causa das minhas roupas? Do cheiro? – Não é este “evangelho” que eu tenho lhes ensinado. 

O Evangelho que eu anuncio é poderoso para transformar qualquer pessoa. Eu creio que qualquer mendigo de rua, pelo poder de Deus, em Cristo Jesus, pode ser transformado no futuro pastor desta igreja. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. II Coríntios 3.18

terça-feira, 23 de outubro de 2018

As Duas Borboletas

Este pequeno e  simples conto  tem como personagens duas lindas borboletas Monarca.     

O quente Verão nas Montanhas Rochosas, ao norte dos Estados Unidos, estava a chegar ao fim. 
Dentro de dias, viria o Outono com os seus ventos frescos. 
Os dias estavam já a encurtar e o Sol já não se mantinha tanto tempo no horizonte. 
Dezenas de milhar de crisálidas, penduradas nas folhas das árvores, aguardavam o final da sua metamorfose para se transformarem em lindas borboletas. 

Aquelas lagartas feias e de apetite voraz, tinham deixado de se alimentar e dormiam agora, imobilizadas e presas às folhas. 
De dia para dia, enquanto dormiam, o seu corpo estava a sofrer profundas alterações que iriam modificar completamente toda a sua configuração anterior. 

Já não eram lagartas com muitas pernas e pelos, eram uma espécie de casulos fusiformes com a parte anterior revestida por uma película dura. 
Eles iam diminuindo de tamanho à medida que os dias passavam. 
Nenhum movimento exterior se percebia neles, algo que denunciasse vida no seu interior. 

Mas, ao nascer do Sol de um certo dia, a imobilização dos casulos cessou. 
As películas duras dos casulos começaram a rachar e, de dentro deles, surgiram novas e estranhas criaturas de cabeças com olhos brilhantes e salientes, duas antenas plumosas, asas curtas e enroladas e patas curtas e dobradas. 
As modificações não se ficariam por aí. 

As asas começariam a desdobrar-se e a crescer de tamanho, a ganhar cores e movimento, as patas aumentariam de comprimento e os seus abdómenes alongar-se-iam.
Cada casulo daria origem a uma formosa borboleta monarca. 
As árvores estavam a cobrir-se de borboletas por toda a parte. 
O bater das asas das borboletas, que ensaiavam o seu primeiro voo parecia-se com o leve e agradável sussurro do vento no arvoredo.

As duas borboletas deste conto nasceram perto uma da outra, quase encostadas. 
Afortunadamente para elas, uma era fêmea e outra era macho. 
Mal despertaram do seu longo sono outonal, logo se conheceram e se começaram a namorar. 

Decidiram então as duas que, acontecesse o que acontecesse, não mais se separariam. 
O Inverno nas Montanhas Rochosas é uma estação extremamente fria e rigorosa e uma grande parte dos animais que ali vive tem de emigrar para se refugiar em regiões de clima mais ameno e quente onde consiga sobreviver. 

Por isso, elas tinham de se preparar para fazer uma longa viagem rumo ao Sul, até atingir a Califórnia e o México. 
Essas regiões mais quentes, acolhem todos os Invernos uma imensa variedade de animais que, se não se refugiassem nelas, pereceriam completamente.

As duas borboletas deste conto, precisavam agora de se preparar para voar perto de cinco mil quilómetros rumo ao Sul. 
Por todo o lado, as borboletas monarca batiam agora as suas asas preparando-se para a grande viagem e, sem que nenhuma ordem soasse, numa linda manhã, repleta de luz e de cor, as borboletas iniciaram ao mesmo tempo a sua longa viagem, elevando-se nos ares e formando grandes nuvens coloridas.

O casal de borboletas deste conto, iniciou assim, o seu grande voo e procuraram não se afastar uma da outra, para não se perderem. 
Se isso acontecesse, não mais  conseguiriam reencontrar-se.
As enormes nuvens de borboletas subiram para o céu, até entrar nas correntes de ar quente, que as iam transportar para os ventos de altitude. 
Seriam eles que as arrastariam para o Sul do Continente Americano. 

O nosso casal de borboletas, voando sempre perto uma da outra, olhava do alto para a terra que se distanciava delas. 
Mas, que lindo, era ver tudo de cima!
No segundo dia de voo, foi tudo ainda mais belo. 
No seu caminho cruzaram-se com grandes balões coloridos. 
A princípio temeram-nos, mas logo se aperceberam que eram inofensivos e que estavam ali para as acompanhar e estudar o seu voo migratório. 
Eram conduzidos e ocupados por homens, metidos dentro de cestos, que as observavam com curiosidade, usando binóculos e lunetas. 

As borboletas, que já se encontravam muito cansadas resolveram pousar num dos balões para viajar sem esforço.
Sete dias voaram as nossas bonitas borboletas sem poderem alimentar-se. 
Estavam ainda com muitas reservas de energia armazenada nos seus corpos quando começaram a sua descida para o lugar onde iriam, por fim, repousar e passar o Inverno. 
Elas já estavam cheias de saudades das árvores amigas e das flores que lhes podiam oferecer o seu néctar. 
Centenas de milhar de borboletas monarcas cobriram os céus da Califórnia e do México, descendo gradualmente sobre as florestas e sobre os campos verdes e floridos. 

Tinha terminado a sua longa viagem. 
Agora, teriam de esperar pela Primavera para se acasalarem e poderem depois regressar às encostas floridas das Montanhas Rochosas. 
Antes disso, precisavam de se fortalecer e preparar para a grande viagem de regresso ao Norte. Ordens genéticas gravadas dentro delas, iriam a seu tempo, obrigá-las a voar para o lugar onde tinham nascido, ao encontro da Primavera. 
Aí fariam, então, as suas posturas de ovos sobre as tenras folhas verdes das árvores e das plantas que entretanto se tinham preparado para as poder receber e alimentar. 

Uma nova geração de lagartas eclodiria, muito em breve, desses ovos, para perpetuar a presença permanente das lindas borboletas Monarca nos extensos e profundos vales das Montanhas Rochosas.
A Natureza opera com sabedoria sob a orientação de Deus e a vida renova-se e perpetua-se continuamente. 

Os homens devem respeitar escrupulosamente os ritmos da sua renovação para não interferir no equilíbrio natural das espécies. 
Sempre que o homem interfere desastradamente no sábio equilíbrio natural, ocorrem irremediáveis desastres ecológicos. 

Nota: No voo de regresso ao grande Norte as monarca iam aproveitar os ventos de altitude que nessa época do ano começam a soprar do Sul para o Norte. 
Conto de Afonso Soares Lopes

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

A Lição da Borboleta

Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.

Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso. 

Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.

Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. 

A borboleta então saiu facilmente. 

Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.

O homem continuou a observá-la porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo. 

Nada aconteceu!

Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas.

Ela nunca foi capaz de voar. 

O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

A Criança e o Farmacêutico

Dono de uma bem sucedida farmácia numa cidade do interior, João não acreditava na existência de Deus ou de qualquer outra coisa, além do mundo material.

Certo dia, quando ele já estava fechando a farmácia, chegou uma criança com um bilhete nas mãos, solicitando um remédio.

Ele disse que já estava fechado, mas a criança, com lágrimas nos olhos, informou-o que sua mãe estava muito mal e precisava com urgência daquela medicação.

Devido à insistência da menina, mesmo contrariado resolveu reabrir a farmácia e vender o remédio, mas, devido à sua insensibilidade e àquele nervosismo sem causa, não acendeu a luz e pegou um remédio errado, cujo efeito era exatamente o contrário do que aquela garota precisava e, certamente, iria matá-la.

Em pânico, tentou alcançar a criança, sem êxito.

Voltou para a farmácia e, sem saber o que fazer, com a consciência pesada e com medo, muito medo – de ser processado ou até mesmo preso, de perder tudo o que levou a vida inteira para construir – instintivamente fez algo que nunca havia feito: ajoelhou-se e orou.

Mesmo sendo um ateu, seu espírito o levou a buscar o Criador e clamar por ajuda.

De repente, sentiu uma mão a tocar-lhe o ombro esquerdo e ao se virar, deparou-se com a criança: “Senhor, por favor, não brigue comigo, mas é que eu caí e quebrei o vidro do remédio. 

O senhor poderia me dar outro?”. “Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. 

Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas, sem pecado. 

Muitas vezes questionamos a eficácia da oração, talvez não diretamente mas perguntas como, Por que Deus não me responde? 

Por que tenho orado por determinado motivo e não vejo resultado?

O Messias ensinou algo precioso sobre a oração: E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer, Dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava o homem. 

Havia também, naquela mesma cidade, uma certa viúva, que ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário. 

E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, Todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte, e me importune muito. 

E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.

E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? 

Digo-vos que depressa lhes fará justiça. 

Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? Lucas 18:1-8




Cheguemos confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” – Hebreus 4.14-16.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O Menininho e a flor vermelha de caule verde


Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande. 

Uma manhã, a professora disse: – Hoje nós iremos fazer um desenho. 

Que bom!. pensou o menininho. 

Ele gostava de desenhar leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos. 

Pegou a sua caixa de lápis-de-cor e começou a desenhar. 

A professora então disse: – Esperem, ainda não é hora de começar! 

Ela esperou até que todos estivessem prontos.

– Agora, disse a professora, nós iremos desenhar flores.
E o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul.

A professora disse: – Esperem! Vou mostrar como fazer.

E a flor era vermelha com caule verde.– Assim, disse a professora, agora vocês podem começar.

O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isso. 

Virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com caule verde.

Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora disse: – Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro.

Que bom! Pensou o menininho. 

Ele gostava de trabalhar com barro. 

Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões.

Começou a juntar e amassar a sua bola de barro. Então, a professora disse: – Esperem! Não é hora de começar!

Ela esperou até que todos estivessem prontos.– Agora, disse a professora, nós iremos fazer um prato.

Que bom! — pensou o menininho. 

Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos. 

A professora disse: – Esperem! Vou mostrar como se faz. 

Assim, agora vocês podem começar.

E o prato era um prato fundo. 

O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostou mais do seu, mas ele não podia dizer isso. 

Amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo, igual ao da professora.

E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora. 

E muito cedo ele não fazia mais coisas por si próprio.

Então aconteceu que o menininho teve que mudar de escola. 

Essa escola era ainda maior que a primeira. 

Um dia a professora disse: – Hoje nós vamos fazer um desenho.
Que bom!. pensou o menininho e esperou que a professora dissesse o que fazer, mas, ela não disse. 

Apenas andava pela sala. 

Então veio até o menininho e disse:– Você não quer desenhar?

– Sim, e o que é que nós vamos fazer?
– Eu não sei, até que você o faça.
– Como eu posso fazê-lo?
– Da maneira que você gostar.
– E de que cor?

– Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber o desenho de cada um?
– Eu não sei . . .

E então o menininho começou a desenhar uma flor vermelha com o caule verde.


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