
Diante da tela deixo vagar meus sonhos.
Quimeras, saudades, lembranças.
Por um momento viajo no tempo, “ido”
Nem preciso fazer esforço.
Deixo apenas o pensamento alçar vôo. Distante.
Nesse mundo virtual vou navegando.
Ponho-me a debulhar os sonhos que nunca pude realizar.
Conto as minhas verdades e ouço as mentiras que tão real me tornam.
Aqui posso ser qualquer coisa, ter qualquer forma!
Entro na minha caixa de recados.
São tantas mensagens.
Na minha insana busca virtual.
Vou chorando a dor de cada palavra sofrida.
De cada doença amiga.
De amigos que nunca conheci.
Mas, estão lá.
Pessoas escrevendo sobre seus amores perdidos.
Alguns desiludidos. Eu pacientemente vou lendo.
As lágrimas escorrendo por esta face já tão marcada pela vida.
Eu escolhi estes meus amigos, preciso devolver-lhes um pouco de alegria.
A madrugada chegou e eu continuo a olhar a tela agora tão vazia.
Penso em como preciso muito mais do carinho que eles me dão, do que escrevo me fazendo de forte.
Eles nem imaginam que por trás desta telinha.
Esta amiga chora sozinha.
Tantas perdas que a vida lhe deu.
Quem poderá inserir um slide colorido, para que eu possa me sentir uma única vez na vida importante para alguém?
Quem poderá com um simples arrastar do mouse.
Apagar tudo o que quis viver?
Quem poderá formatar um slide com som, movimentos e música, os sonhos que nunca sonhei?
Bem o dia já amanhece.
A vida precisa continuar, porque a vida não pára só para que eu possa chorar.
Outro dia virá com certeza, e eu estarei aqui debruçada nesta mesa.
Esperando receber dos meus amigos virtuais.
Suas alegrias, suas tristezas, seus sonhos, suas realizações.
E eu sei.
Que ainda que minha vida pareça tão sem sentido.
Que eles nunca saibam a dor que assola esta amiga.
Tenho sempre gravado em meu coração, cada nome.
Cada palavra que recebo, então percebo que só por eles ainda vivo.
Obrigada amigos. Amo vocês.
Colaboração; Lúcia Aparecida.
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