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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

“E Os Velhos Se Apaixonarão de Novo...”


Meu amigo não chegou na  hora marcada. 

Telefonou dizendo que estava  num velório.    

Chegou atrasado, sorridente.   

E me contou que fora no velório que lhe viera aquela felicidade.    

Pensei logo que o morto deveria  ser um inimigo.    

Não era. 

Um tio muito querido, pessoa  doce, 82 anos.  

E ele me contou uma história de um amor...   

Amor de mocidade é bonito,  mas não é de espantar.  

Jovem tem mesmo é que se  apaixonar. 

Mas o amor na velhice é  um espanto, pois nos revela que o  coração não envelhece jamais.    

Pode até morrer, mas morre  jovem.   

“O amor retribuído sempre rejuvenesce”, dizia Eliot, no vigor da sua paixão, aos 70 anos... 

A Simone de Beauvoir, no seu livro sobre a velhice, diz que há uma coisa que não se perdoa  nos velhos: que eles possam amar com  o mesmo amor dos moços. 

Aos velhos está reservado outro tipo de amor, amor pelos netos, sorrindo sempre  pacientemente, olhar resignado, espera  da morte, passeios lentos pelos  parques, horas jogando paciência, cochilos em meio às conversas. 

Mas, quando o velho ressuscita, e no seu corpo surgem de novo as  potências adormecidas do amor – oh!  os filhos se horrorizam! “Ficou caduco...” 

A estória que meu amigo  contou era um amor de adolescência interrompido  – cada um seguindo seu caminho, diferentes,  outros amores, famílias. 

Mas o tempo não consegue  apagar.    

A psicanálise acredita que no  inconsciente não há tempo...    

Somos eternamente jovens.   

E, de repente, já no crepúsculo, as árvores que todos julgavam secas começam a soltar brotos,  florescem. 

Casam-se – ele com 80 anos,  ela com 76 – e vão morar longe,  longe dos olhos dos que não suportariam  o amor na velhice. 

E ele, aos 81  anos, voltou a estudar violino! 

Divina  loucura!!!   

E foi o mesmo que aconteceu  com o T.S. Eliot, que só encontrou  o seu amor aos 68 anos, e aos  70 dizia que, antes do casamento, estava  ficando velho.   

Mas agora se sentia mais  jovem do que quando tinha 60. 

O amor tem esse poder mágico  de fazer o tempo correr ao contrário.    

O que envelhece não  é o tempo.   

É a rotina, o enfado, a incapacidade de se comover ante o sorriso de uma mulher ou  de um homem.  

Mas será incapacidade mesmo?   

Ou não será uma outra coisa:  que a sociedade inteira ensina aos seus velhos que o tempo do amor já passou,  que o preço de serem amados por  seus filhos e netos é a renúncia  aos seus sonhos de amor? 

Se eu pudesse, acrescentaria aos  textos sagrados, nos lugares onde os profetas  têm visões da felicidade messiânica, esta  outra visão que, eu penso, até o  próprio Deus aprovaria com um sorriso:   “E os velhos se apaixonarão  de novo...”   
Rubem Alves 
Meditação 
Colaboração; Ariani

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