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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A Latinha de Leite

Um fato real. 

Dois irmãozinhos maltrapilhos, provenientes da favela, um deles de cinco anos e o outro de dez, iam pedindo um pouco de comida pelas casas da rua que beira o morro. 

Estavam famintos "vai trabalhar e não amole", ouvia-se detrás da porta; "aqui não há nada moleque...", dizia outro... 

As múltiplas tentativas frustradas entristeciam as crianças... 

Por fim, uma senhora muito atenta disse-lhes "Vou ver se tenho alguma coisa para vocês... coitadinhos!" 

E voltou com uma latinha de leite. 

Que festa! 

Ambos se sentaram na calçada. 

O menorzinho disse para o de dez anos "você é mais velho, tome primeiro..." e olhava para ele com seus dentes brancos, a boca semi-aberta, mexendo a ponta da língua. 

Eu, como um tolo, contemplava a cena... 

Se vocês vissem o mais velho olhando de lado para o pequenino! 

Leva a lata à boca e, fazendo gesto de beber, aperta fortemente os lábios para que por eles não penetre uma só gota de leite. 

Depois, estendendo a lata, diz ao irmão "Agora é sua vez. Só um pouco." 

E o irmãozinho, dando um grande gole exclama "como está gostoso!" "Agora eu", diz o mais velho. 

E levando a latinha, já meio vazia, à boca, não bebe nada. "Agora você", "Agora eu", "Agora você", "Agora eu".. 

E, depois de três, quatro, cinco ou seis goles, o menorzinho, de cabelo encaracolado, barrigudinho, com a camisa de fora, esgota o leite todo... ele sozinho. 

Esse "agora você", "agora eu" encheram-me os olhos de lágrimas...

E então, aconteceu algo que me pareceu extraordinário. 

O mais velho começou a cantar, a sambar, a jogar futebol com a lata de leite. 

Estava radiante, o estômago vazio, mas o coração trasbordante de alegria. 

Pulava com a naturalidade de quem não fez nada de extraordinário, ou melhor, com a naturalidade de quem está habituado a fazer coisas extraordinárias sem dar-lhes maior importância. 

Daquele moleque nós podemos aprender a grande lição, "quem dá é mais feliz do que quem recebe".

É assim que nós temos de amar. 

Sacrificando-nos com tal naturalidade, com tal elegância.
Pare e Pense.

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